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Carreira - 23/05/2011

O futuro dos profissionais de TI

Consultor de carreira analisa exigências do segmento para os próximos anos

As constantes mudanças da tecnologia e a evolução do mercado de TI exigem um desenvolvimento contínuo dos profissionais e definem um novo perfil para os profissionaisdo futuro.
 
O Brasil é um país que ainda demanda técnicos qualificados para acompanhar a evolução da tecnologia global e, com isso, dá oportunidades para empresas do setor investir na capacitação de funcionários, como também oferece diferentes opções para os futuros profissionais que se preparam para o mercado.

Aceitar a carência de qualificação no setor é essencial como prevenção para que a falta de profissionais de Tecnologia da Informação não comprometa o crescimento do país em médio e longo prazo.

Quais serão as principais capacidades do futuro profissional de TI? Como este novo perfil afetará às empresas? Shuji Shimada, diretor da empresa People Consulting e especialista no desenvolvimento de carreira no segmento de TI, analisa o futuro do profissional da Tecnologia da Informação. Confira a entrevista exclusiva ao Portal da Added.

Quais habilidades técnicas serão indispensáveis para os profissionais de TI do futuro?
Não poderia sintetizar e citar apenas algumas habilidades técnicas para um profissional do futuro. Na realidade, a Tecnologia da Informação é extremamente ampla e abrangente, e teremos muitos profissionais se especializando tanto em novas tecnologias quanto nas tecnologias existentes.

Teremos sempre os profissionais com alto grau de especialização em determinada tecnologia, emergente ou não, dentro da carreira Y, como também de profissionais que se voltarão mais para as posições de gestão, que deverão ter conhecimentos técnicos mais genéricos.
 
No Brasil há ainda uma aversão muito grande em termos de inovação tecnológica entre as empresas, em alguns setores a evolução sempre foi maior, como, por exemplo, o ramo financeiro. Portanto, por um bom tempo ainda continuará havendo demanda por profissionais de uma diversidade grande de tecnologias.

Que habilidades, além de técnicas, contribuirão para um serviço qualificado de TI?
De um modo geral, todas as competências comportamentais serão muito mais exigidas e valorizadas no futuro globalizado e de alta concorrência.  Portanto, para se destacar obrigatoriamente, o profissional vai ter que sair de sua zona de conforto e nunca mais voltar.

Deverá desenvolver a sua capacidade de se relacionar de forma horizontal e vertical, a capacidade de trabalhar em equipe, total flexibilidade, comunicação eficaz, uma iniciativa perseverante e ser, acima de tudo, “multi-task”.

Eu destaco a flexibilidade como a competência mais relevante no futuro, a pessoa terá que estar sempre preparada para mudanças e, mais do que isso, ser o próprio agente de mudanças, sendo capaz de aprender e desaprender as coisas de forma muito rápida.
 
Tendo em vista o mercado global, o idioma continuará sendo um pré-requisito no currículo?
O idioma Inglês tem sido importante há décadas, e não somente na área de tecnologia. Hoje é imprescindível, e no futuro mais ainda devido a globalização. Além do inglês, outros idiomas passarão a ser valorizados.  
 
Como o perfil dos profissionais do futuro deve afetar as empresas?
Se as empresas passam a exigir uma mudança grande nos aspectos comportamentais dos profissionais, é porque os gestores destas empresas já passaram por um processo de transformação, eles já são agentes de mudança e vão requisitar estas características de seus colaboradores.
 
Portanto, profissionais com este novo perfil tenderá a dar uma contribuição maior para a organização, resultando em empresas mais dinâmicas e eficientes.  Em contrapartida, a empresa deverá quebrar os paradigmas e rever suas políticas de cargos e salários, deverá haver muita flexibilidade, caso contrário, correrá grande risco de perder seus novos talentos, pois o mercado estará ávido por este novo perfil profissional.
 
Fala-se muito que os profissionais do futuro terão auto-gestão nas empresas. Esta possibilidade pode ser considerada? Como será a gestão destes profissionais?
Este assunto é extremamente complexo, e a sua prática implicará em grandes mudanças no modelo atual de administração, na relação chefe-subordinado, no papel do líder tradicional.
 
O profissional do futuro deverá ter uma grande capacidade de empreender, e empreendedorismo implica em maior autonomia, liberdade na busca de soluções, de criar e concretizar ideias.
 
Além disso, neste novo cenário ele responderá por uma diversidade de tarefas, nem sempre correlatas. Isto significa que o colaborador deverá ter grande capacidade de auto-gestão para ter sucesso em sua carreira. A administração deverá ser totalmente participativa, além daavaliação por resultados.   
 
Quais características atuais perdem valor no profissional do futuro?
Todas continuarão sendo extremamente importantes, não perdendo valor, mas outras serão incorporadas. Algumas sofrerão mutações na sua prática, como a liderança, cujo modelo atual poderá não ser adequando para algumas áreas.
 
Tendo em vista o crescimento acelerado da indústria tecnológica e, com isso, a falta de acompanhamento técnico, a mão de obra qualificada de TI é precária no país. Como o senhor vê a necessidade técnica e de treinamento nas empresas de TI do futuro?
O grande problema atual é o déficit de profissionais. A precariedade da qualificação da mão de obra é conseqüência. Para agravar ainda mais a situação, temos exportado técnicos qualificados para outros países e empresas estrangeiras do segmento de TI estão se instalando no Brasil, demandando pessoal local.
 A solução em médio prazo será a criação de novas escolas de formação em TI. Em curto prazo, não resta alternativas senão o investimento em treinamento interno nas empresas.
 
O senhor vê algum avanço no setor brasileiro para os próximos anos?
Segundo o Relatório Global de Tecnologia da Informação 2010-2011, o Brasil ocupa o 56o lugar mundial em desenvolvimento de TI, depois de perder posições sucessivas nos últimos anos.
Eu realmente desconheço as variáveis consideradas para estabelecer este ranking. É surpreendente a nossa colocação, pois certamente estamos na vanguarda em vários setores, como o bancário. Algumas áreas do setor público, comercial e industrial. 

Da Redação



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